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Quando o mentor passa do ponto

  • em 6 de maio de 2014 ·
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Quando o mentor passa do ponto

Ajudar colegas de trabalho a se desenvolverem na carreira é hoje uma das características mais valorizadas pelas empresas em seus executivos e funcionários. Mas se a atividade de “ajudar os outros” começar a ocupar mais tempo na agenda do que as próprias funções do profissional é provável que ele seja vítima da uma nova síndrome: a “Síndrome do Salvador”.

Essa síndrome mostra, principalmente que, quando quem ajuda está mais interessado nos problemas alheios do que a pessoa ajudada, é sinal de que algo está errado. Nesses casos, é provável, inclusive, que a tentativa de ajudar não cause mais efeito – ou pior: atrapalhe o outro.

Resolver os problemas de terceiros de maneira compulsiva é um vício, parecido com o que é chamado de “co-dependência” em meios que tratam doenças como alcoolismo e dependência química. Dependendo do nível de envolvimento com os conflitos alheios, a ajuda deixa de ser efetiva e passa a contribuir com a manutenção da doença, já que tira a possibilidade do outro se desenvolver a partir dos recursos e aprendizados próprios.

A dificuldade de identificar um Salvador ou de se assumir como um deles é que quem tem essa atitude geralmente assume o papel do bonzinho ou do prestativo da turma. Mas por trás da atitude aparentemente altruísta, pode haver interesses inconscientes egoístas.

Para avaliar se um colega – ou se você mesmo – é vítima da Síndrome do Salvador, Manfred Keds – responsável pela teoria da Síndrome, elaborou as perguntas abaixo.

1. Você acha difícil arrumar tempo para si mesmo?

2. Você acha difícil parar de pensar nos problemas dos outros?

3. Muitas vezes você encara os colegas de trabalho como membros da sua família?

4. Você está disposto a tomar decisões no lugar de alguém que lhe pediu ajuda?

5. Você oferece ajuda a pessoas que parecem não terem nem percebido que têm um problema?

6. Você se sente desconfortável recebendo ajuda de outras pessoas?

7. Você frequentemente se sente exausto de tanto ajudar os outros?

Quanto maior o número de respostas positivas, maior são as chances de o comportamento ter passado do limite do saudável e produtivo.

Para evitar cair nessa armadilha, uma sugestão é usar uma regra simples antes de oferecer sua colaboração, mesmo aos subordinados: só ajudar quem lhe pedir ajuda ou demonstrar claramente precisar de um auxílio.

Ajuda é ajuda. Se esperar algo em troca, vira cobrança, investimento, negócio. Se seu objetivo, no fundo, é provar que você estava certo ou mostrar para todo mundo como você é bacana e preocupado com os outros, então quem precisa de atenção e cuidado é você mesmo.

 

Adaptado via Época Negócios

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